| Porque a China Vence? |
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A China está rapidamente se transformando na “fábrica do mundo”. Por uma medida, a China é responsável por 13% da produção econômica global, fazendo da sua economia o dobro da do Japão, e terceira em tamanho atrás apenas do Estados Unidos e da Comunidade Econômica Européia. Os EUA importaram US$ 197 bilhões em produtos da China em 2004 - 11% de todas as importações americanas. Wal-Mart, o maior vendedor dos EUA, importa até 70% de seu inventário da China. Wal-Mart faz mais negócios com a China do que faz toda a Rússia e a Inglaterra. Wal-Mart compra tanto da China pelas mesmas razões que os Estados Unidos como um todo: os produtos chineses são extremamente baratos e as indústrias chinesas fazem uma quantidade ampla de produtos com uma qualidade crescente. Produtos da China são baratos por duas razões: a avaliação cambial e os custos de produção. Por muitos anos, a China agregou sua moeda, o yuan, ao dólar americano a uma taxa fixa. Durante este período, a economia chinesa se fortaleceu dramaticamente comparada à economia americana. Se a moeda chinesa tivesse flutuado livremente contra o dólar, o yuan teria aumentado - um dólar teria comprado 6 ou 7 yuan ao invés dos 8,28 que ele comprou por mais de uma década. Assim, os produtos chineses permaneceram baratos - muito baratos, aos olhos das indústrias americanas. Por pressão do governo americano, a China reavaliou o yuan em julho de 2005, mas manteve o yuan fixamente atachado ao dólar, yen e euro. Naturalmente, os manufatureiros americanos prefeririam ver o yuan flutuar livremente, assim a China estaria no mesmo pé com outras nações, e assim seus produtos de exportação seriam bem mais caros. Isso certamente viriam como um choque para os consumidores americanos, que cresceram acostumados aos baixos custos de revendedores como o Wal-Mart. Além disso, os custos trabalhistas na indústria chinesa são incrivelmente baixos em termos americanos - os empregos nas fábricas geralmente pagam cerca de 100 dólares ao mês (menos de 180 reais, na cotação atual). Trabalhadores conseguem sobreviver com esta renda modesta porque os empregadores geralmente fornecem moradia em dormitórios próximos das fábricas, e porque o custo de vida é extremamente baixo na China. A alternativa ao trabalho nas fábricas é uma vida de alarmante pobreza rural, assim, existem inumeráveis pessoas dispostas a preencher posições, e um trabalho urbano - versus ser agricultora e ter um casamento arranjado - é uma opção especialmente atrativa para mulheres jovens das áreas rurais. O sistema chinês de permissão residencial (chamado “hukou”) torna ilegal para muitos migrantes rurais viver o morar nas cidades chinesas, de forma que estes migrates muito improvavelmente reclamarão das condições inseguras de trabalho, semanas de trabalho de sete dias, ou pagamentos retidos, por medo de que seus chefes denunciem seu status de “imigrantes ilegais” (dentro do próprio país!) às autoridades. (Trabalhadores sem documentação apropriada nos Estados Unidos e na Comunidade Européia enfrentam condições similares). Em adição, leis ambientais na China não são especialmente rígidas, tornando os produtos mais baratos, levando a uma massiva crise ecológica por lá. A China vai tão bem no mercado econômico global em grande parte porque seus trabalhadores (e o ambiente) pagam um preço caro para que as fábricas chinesas possam manter seus preços de etiqueta pequenos. |

