Vila de Aprendizado de Kufunda, em Zimbábue
    No meio do caos e da confusão do Zimbábue moderno, situado nas pequenas estradas de terra vermelha de Ruwa, fora de Harare, situa-se uma testemunha extraordinária da criatividade e da resiliência dos zimbabuenses. A Vila de Aprendizado de Kufunda foi fundada em 2002 para prover às populações rurais em Ruwa e em seu entorno de um ambiente rico no qual eles pudessem aprender, e ensinar, as habilidades que os tornem independentes.

    Desde seu princípio, Kufunda respondeu ativamente às necessidades e desejos da comunidade local. Mesmo o segurança, David, que no começo só ficava sentado na frente dos portões de Kufunda, está agora ocupado perseguindo seu sonho de iniciar uma fazenda de produção de cogumelos orgânicos. Ao longo dos anos, Kufunda tem desenvolvido uma série de programas residentes com duração de duas semanas para “organizadores comunitários” - geralmente mulheres - de vilas através do Zimbábue. Os participantes estudam tópicos tão diversos quanto fundamentos de negócios, confecção de sabão, yoga e a filosofia Gandhiana do swaraj (autogoverno). Devido a Kufunda, as vilas locais acabaram por construir centenas de banheiros de compostagem, que não apenas reduzem a água utilizada mas retornam nutrientes essenciais aos projetos de jardinagem permacultural das vilas.

    Kufunda também estabeleceu um fundo educacional para dar suporte às várias crianças zimbabuenses órfãs em função da SIDA, e um programa de educação em HIV/SIDA para criar espaço para conversações abertas sobre a realidade da doença. Há também um programa de medicina herbal (fitoterápicos) que foca em ativadores imunológicos e remédios para complicações relacionadas à SIDA; herbáreos em Kufunda e nas vilas vizinhas produzem as ervas e um pequeno laboratório as processa e embala. Em 2006 o foco do laboratório se expandiu e passou a cultivar e distribuir a Moringa oleifera (carregada de vitaminas, minerais, 18 aminoácidos, clorofila, ômega-3, fitonutrientes e antioxidantes) e a Artemisia annua, que é usada para tratar a malária (uma das principais causas de morte na região) e para incrementar o sistema imunológico.

    Muitas pessoas no Zimbábue rural, influenciadas pela mídia e pela sua dependência das instituições externas, percebiam suas pequenas fazendas e vilarejos como sem utilidade e a si mesmos como sem oportunidades. Eles não viam os recursos locais escondidos em suas comunidades. Mas Kufunda os ajudou a ver valor e possibilidade em seu próprio ambiente. Kufunda vai além dos modelos de educação contemporânea, empoderando os participantes a tomarem papel de professores e líderes, assim como de estudantes. A Vila de Kufunda está mudando as regras do jogo da dependência institucional para a independência (de capacidade, julgamento, recursos). No processo, está criando um modelo vivo de sustentabilidade baseado em um entendimento compreensivo das riquezas que estão no coração da cultura e das comunidades rurais. Uma energia particular de transformação perpassa Kufunda - e todos expostos a ela são mudados.
 
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